Padrão

O esforço é grande e o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei

A alma é divina e a obra é imperfeita
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita
O por-fazer é só com Deus

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês
Que o mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar



Credits
Writer(s): André Luiz Oliveira, Fernando Pessoa
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