Melancholie Der Engel
Três mil bom dias desaparecendo
Você enxerga o contraste e nada fala
Essas navalhas não mais cegam
Nem os prédios lhe engolem mais.
Foi descendo junto com seus engasgos
Rebobinando os amargos
Quando as mariposas repousarem no seu corpo.
Verás que o medo sempre esteve dentro de si.
Tropeçando na idealização da fama
O século não mais parece pleno
Nos neanderthais intra-terrenos
Três mil e um dias desaparecendo.
"Já viste um loiro trigal balançando ao vento?
É das coisas mais belas do mundo,
mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais
e os povos morrem de fome.
Como falar, então, da beleza,
dessa beleza simples e pura
da farinha e do pão,
da água da fonte,
do céu azul,
do teu rosto na tarde?
Não posso falar dessas coisas de todos os dias,
dessas alegrias de todos os instantes.
Porque elas estão perigando,
todas elas,
os trigais e o pão,
a farinha e a água,
o céu, o mar e teu rosto.
Contra tudo que é a beleza cotidiana do homem,
o nazifascismo se levantou,
monstro medieval de torpe visão,
de ávido apetite assassino.
Outros que falem, se quiserem,
das árvores nas tardes agrestes,
das rosas em coloridos variados,
das flores simples
e dos versos mais belos e mais tristes.
Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada,
outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas.
Não tenho palavras,
não tenho frases,
vejo as árvores, os pássaros e a tarde,
vejo teus olhos,
vejo o crepúsculo bordando a cidade.
Mas sobre todos esses quadros
bóiam cadáveres de crianças que os nazis mataram,
ao canto dos pássaros se mesclam os gritos
dos velhos torturados nos campos de concentração,
nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados.
E, quando a paisagem lembra o campo,
o que eu vejo são os trigais destruídos
ao passo das bestas hitleristas,
os trigais que alimentavam antes as populações livres.
Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão.
É como uma nuvem inesperada num céu azul e límpido.
Como então encontrar palavras inocentes,
doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes?
Perdi o sentido destas palavras, destas frases,
elas me soam como uma traição neste momento.
Mas sei todas as palavras de ódio,
do ódio mais profundo e mais mortal.
Eles matam crianças
e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos.
Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos
e essa é a sua maneira mais romântica de amar.
Eles torturam os homens nos campos de concentração
e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo.
Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos,
e esse é o ideal que levam no coração de lama.
Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar,
com as palavras de sempre, com as frases de ontem,
sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos?
É impossível porque os monstros estão sobre o mundo
soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue,
os olhos amarelos, na ambição de escravizar.
Os monstros pardos, os monstros negros
e os monstros verdes.
Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim,
têm um significado neste momento.
Houve um dia em que eu falei do amor
e encontrei para ele os mais doces vocábulos,
as frases mais trabalhadas.
Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo.
Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal,
um ódio sem perdão,
um ódio que venha do coração
e que nos tome todo,
que se faça dono de todas as nossas palavras,
que nos impeça de ver qualquer espetáculo –
desde o crepúsculo aos olhos da amada –
sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.
Jamais as tardes seriam doces
e jamais as madrugadas seriam de esperança.
Jamais os livros diriam coisas belas,
nunca mais seria escrito um verso de amor.
Sobre toda a beleza do mundo,
sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar,
sobre teus olhos também,
se debruçaria a desonra que é o nazifascismo,
se eles tivessem conseguido dominar o mundo.
Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima.
Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas.
Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte.
Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura.
Mas encontrarás um punhal ou um fuzil,
encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza,
contra aqueles que amam as trevas e a desgraça,
a lama e os esgotos,
contra esses restos de podridão
que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!"
Pois é alvorada e sempre será
Eles continuarão engatinhando pelo solo
Cuspindo nas permaculturas
Queimando as telecélulas.
O espinho arranha esse céu azulado
E a ferida infecciona a nação
Já era-se o tempo de imagem e beleza
Hoje cai a mão gangrenada do poderio.
Os ratos vem trazendo o ódio de cada dia
Ilumina-se a selva robótica
Sejamos filhos dos que morreram pelo passado
Vivemos cegos na sociedade parabólica.
Você enxerga o contraste e nada fala
Essas navalhas não mais cegam
Nem os prédios lhe engolem mais.
Foi descendo junto com seus engasgos
Rebobinando os amargos
Quando as mariposas repousarem no seu corpo.
Verás que o medo sempre esteve dentro de si.
Tropeçando na idealização da fama
O século não mais parece pleno
Nos neanderthais intra-terrenos
Três mil e um dias desaparecendo.
"Já viste um loiro trigal balançando ao vento?
É das coisas mais belas do mundo,
mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais
e os povos morrem de fome.
Como falar, então, da beleza,
dessa beleza simples e pura
da farinha e do pão,
da água da fonte,
do céu azul,
do teu rosto na tarde?
Não posso falar dessas coisas de todos os dias,
dessas alegrias de todos os instantes.
Porque elas estão perigando,
todas elas,
os trigais e o pão,
a farinha e a água,
o céu, o mar e teu rosto.
Contra tudo que é a beleza cotidiana do homem,
o nazifascismo se levantou,
monstro medieval de torpe visão,
de ávido apetite assassino.
Outros que falem, se quiserem,
das árvores nas tardes agrestes,
das rosas em coloridos variados,
das flores simples
e dos versos mais belos e mais tristes.
Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada,
outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas.
Não tenho palavras,
não tenho frases,
vejo as árvores, os pássaros e a tarde,
vejo teus olhos,
vejo o crepúsculo bordando a cidade.
Mas sobre todos esses quadros
bóiam cadáveres de crianças que os nazis mataram,
ao canto dos pássaros se mesclam os gritos
dos velhos torturados nos campos de concentração,
nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados.
E, quando a paisagem lembra o campo,
o que eu vejo são os trigais destruídos
ao passo das bestas hitleristas,
os trigais que alimentavam antes as populações livres.
Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão.
É como uma nuvem inesperada num céu azul e límpido.
Como então encontrar palavras inocentes,
doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes?
Perdi o sentido destas palavras, destas frases,
elas me soam como uma traição neste momento.
Mas sei todas as palavras de ódio,
do ódio mais profundo e mais mortal.
Eles matam crianças
e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos.
Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos
e essa é a sua maneira mais romântica de amar.
Eles torturam os homens nos campos de concentração
e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo.
Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos,
e esse é o ideal que levam no coração de lama.
Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar,
com as palavras de sempre, com as frases de ontem,
sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos?
É impossível porque os monstros estão sobre o mundo
soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue,
os olhos amarelos, na ambição de escravizar.
Os monstros pardos, os monstros negros
e os monstros verdes.
Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim,
têm um significado neste momento.
Houve um dia em que eu falei do amor
e encontrei para ele os mais doces vocábulos,
as frases mais trabalhadas.
Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo.
Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal,
um ódio sem perdão,
um ódio que venha do coração
e que nos tome todo,
que se faça dono de todas as nossas palavras,
que nos impeça de ver qualquer espetáculo –
desde o crepúsculo aos olhos da amada –
sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.
Jamais as tardes seriam doces
e jamais as madrugadas seriam de esperança.
Jamais os livros diriam coisas belas,
nunca mais seria escrito um verso de amor.
Sobre toda a beleza do mundo,
sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar,
sobre teus olhos também,
se debruçaria a desonra que é o nazifascismo,
se eles tivessem conseguido dominar o mundo.
Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima.
Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas.
Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte.
Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura.
Mas encontrarás um punhal ou um fuzil,
encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza,
contra aqueles que amam as trevas e a desgraça,
a lama e os esgotos,
contra esses restos de podridão
que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!"
Pois é alvorada e sempre será
Eles continuarão engatinhando pelo solo
Cuspindo nas permaculturas
Queimando as telecélulas.
O espinho arranha esse céu azulado
E a ferida infecciona a nação
Já era-se o tempo de imagem e beleza
Hoje cai a mão gangrenada do poderio.
Os ratos vem trazendo o ódio de cada dia
Ilumina-se a selva robótica
Sejamos filhos dos que morreram pelo passado
Vivemos cegos na sociedade parabólica.
Credits
Writer(s): J.p Schwenck, Jorge Amado
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